Vida de Apartamento

14 jan

Abro minha janela, e vejo outra janela.

Invado sua intimidade…

Você invade a minha!

Uma convivência inoportuna,

Indigesta,

Enfadonha,

Inevitável!

Você frente a mim,

E eu frente a você

Estranhos,

Conhecidos,

Desconhecidos,

Íntimos!

Rimos uns do outros!

Imaginamos o que se passa no espaço de cada um,

Temos vergonha de imaginar,

A vida se desenvolve,

A indiferença se exercita,

Um exercício cotidiano.

A luta pela sanidade se faz!

Encontramos-nos à rua?

Somos estranhos!

Se, ama?

Se, sofre?

Se, ri?

Se, chora?

Se, vive?

Se, morre?

Não sei!

Prisioneiro somos eu e você!

De uma prisão sem muros,

Sem grades,

Pelo menos visíveis!

Prisão chamada sociedade.

Que cria e se recria, a todo o momento!

Possibilitando:

Essa quase vida,

Quase existência,

Quase intimidade,

Quase horror!

Você em seu apartamento!

Eu no meu!

Envoltos naquilo que ignoramos!

Cegos ao que vemos!

Mas, incomodados por aquilo que os olhos não enxergam!

Que a razão ignora!

Mas, suscetíveis àquilo, que nos trai!

A natureza!

A natureza dos sentidos!

Incapaz de negar que algo está errado!

Que algo não faz sentido!

No entanto,

Nos esquecemos de nós!

Nos esquecemos do outro!

E de insensibilidade, em insensibilidade,

Tão naturalizada.

A quase vida se faz!

E não mais vivemos!

Apenas existimos!

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