Sobre a Greve dos Professores Aqui no Paraná

4 maio

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Falar sobre a Greve dos Professores no Paraná, parece, e é o assunto do momento, vejo, leio e ouço coisas aqui e ali. Muita gente se manifestando por todos os cantos, pelas redes sociais, jornal, revista, enfim por todos os meios possíveis. A comoção é geral!

Vejo gente tentando, para o meu espanto buscando, justificar como legítima a atitude tomada pelo Governo do meu Estado.

Tenho à dizer que a tarefa e a Profissão de Professor, assim com P maiúsculo, a cada dia torna-se mais penosa e difícil. A profissão e seus profissionais se acham desvalorizados e abandonados à própria sote, vítimas da sociedade, que “deseja” educação. Assim entre aspas mesmo, pois constantemente no ato de transmitir o saber acumulado e mesmo alguns valores cívicos e sociais, os Professores se acham violados e prejudicados em seu papel por parte da sociedade, aliás, uma parte representativa e hipócrita dela que vê a Escola e seus profissionais, como um depósito e seus respectivos Profissionais como babás, que devem atender e se possível ( ou obrigatoriamente) reproduzir os valores privados dos educandos e seus país.

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Isto já faz parte do imaginário social e está por toda parte, a ideia de sacerdócio, como uma dedicação intensa e desinteressada, uma missão. Sendo que sacerdócio como termo, na sua acepção mais profunda, ou seja no seu significado original, significa “livre para o ócio”, isto é, tudo que o Professor não é! E pelo andar da nossa sociedade parece que nunca será!

Já que este profissional, categoria na qual me incluo, se vê o tempo todo sujeito à jornadas intermináveis de trabalho, por conta dos baixos salários.

Um processo de formação contínua, que exige horas de estudo e dedicação constante e que não são reconhecidas financeiramente e tão pouco socialmente, uma vez que diariamente vemos a mídia em geral vender o discurso de incompetência da Escola Publica e seus Profissionais, para vender-lhes coisas.

Recentemente surgiu ainda, um discurso pseudo-religioso que visa tolher determinadas discussões e um pretenso discurso reacionário, de que qualquer discurso que se oponha a realidade tal e qual ela é apresentada ou que venha ousar a contrapor-se ao discurso único midiático é um discurso de esquerda, mesmo que para isso se utilize teóricos da própria direita para refletir sobre questões relativas ao abuso do poder, o papel da mídia e sua ideia seletiva de verdade entre outras reflexões, tornado qualquer debate sem mérito ou valor; entre tantos problemas que afetam a Escola, que jaz. E que jaz sobre tantos outros problemas, inclusive ou principalmente de ordem estrutural. Quando falo de estrutural, não falo de questões de nível quase abstrato a população e mesmo das discussões infindáveis que se dão acerca da melhor concepção pedagógica de educação, falo da estruturas das escolas (aquela de pedra e tijolo, madeira ou palafitas), que visivelmente caem aos pedaços ante aos olhos de todos, sem que muitas vezes nada se diga.

É neste contexto e neste clima que o Governo decidiu e agiu como agiu, com a certeza da impunidade, que se vê e impõe-se as Escolas como um todo. Pois, a educação é apenas um discurso útil e que se faz útil, que elege, mas não destitui e no final das contas significa nada. Ou seja, o fez porque sentiu-se seguro nesta estrutura hipócrita, ou de hipocrisia de gabinetes e da justiça, que finge que acusa, finge que condena, finge que prende, mas não finge que engaveta. Neste jogo de fingimento, o mar se torna revolto, a tempestade se enuncia no horizonte e do mesmo modo as águas se acalmam e tudo volta à paz de outrora e a vida segue.

Contudo, espero realmente, que neste episódio a justiça se faça, que o mar se agite revolvendo o fundo e trazendo à tona aquilo que estava encoberto, que a indignação que agora se enuncia não se cale, que a lembrança deste momento não seja apenas uma coleção de dias na História da Educação do Paraná, que tem o seu 30 de Agosto, morto na ultima eleição por 77% de votos, infâmia praticada contra os Professores e a Educação que se transformou em uma memória carcomida pelo tempo, temos agora o 29 de Abril e finalmente um 1° de Maio verdadeiro, com protesto e luta, sem sorteio ou festinha, para serem lembrados, e espero nunca esquecidos pela Bancada do Camburão e muito menos pelo Governo e o grupo que aí estão.

Pois como dizia Mario Quintana, no seu “Poeminha do Contra”, dizia:

Todos esses que aí estão

Atravancando meu caminho

Eles passarão…

Eu passarinho!

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